Era previsível que isso ia acontecer, mas você só se dá conta de como sua vida é "fácil" depois que sente na pele a obrigação de ter que se virar sozinho em outro país. Passaram-se apenas 9 dias desde que entrei no Aeroporto de Fortaleza rumo a Dublin, mas a quantidade de coisas que eu já tive que fazer por aqui "não tá no gibi", diria alguém com mais de 40 anos. E é aí que você começa a valorizar tudo aquilo que tinha no Brasil.
Vamos aos exemplos. Em 2009, quando entrei na Unifor, eu já morava bem próximo da faculdade: somente 15 minutos andando. Apenas durante o primeiro semestre eu tive coragem de fazer esse percurso a pé nas idas para lá e voltas para casa. Nos seguintes, na ida, com aquela preguiça de quem acabou de acordar, pedia uma carona para minha mãe, quando esta ia para o trabalho, e, na volta, pegava ônibus (isso mesmo!), para evitar aquele sol "quente" do meio-dia rachando a minha cabeça em Fortaleza. Aqui, já me habituei a andar pelo menos 1 hora por dia, contando o percurso até a escola e de trajetos para resolver coisas na rua, como comprar comida, procurar apartamento para morar (o que já consegui, e dá outro post), conhecer a cidade, etc. Tudo bem que aqui é bem mais frio e você não cansa tanto quanto em Fortaleza, mas mesmo assim você se assusta quando lembra que já se acostumou a isso e tinha preguiça de andar 15 minutos no Brasil.
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| Especialidade da casa. |
Outro exemplo interessante é a comida. Ah, a comida! Lembro-me perfeitamente de, em Fortaleza, quase sempre ignorar as comidas que minha mãe trazia da rua, dizendo que ela não sabia escolher, que não era boa, bla bla blá. Confesso que sempre fui exigente com comida, apesar de ter gente que diz o contrário a meu respeito. Aqui, ou você come sanduíche na rua, ou traz coisas congeladas da rua pra casa, ou compra ingredientes no supermercado e se vira pra cozinhar. A última opção foi tentada hoje, sem muito sucesso (e tendo que limpar a louça suja, é claro, o fogão e toda as outras tralhas que você tenha usado). Aí bate aquela saudade das comidas que minha mãe trazia da rua e do luxo de poder sujar toda a cozinha e ir para o seu quarto tranquilo.
Por último vou falar do clima. No apartamento em que moro, eu e meus colegas evitamos usar o aquecedor, para economizar energia. Como ainda estamos no inverno, mesmo com o apartamento todo fechado, é inevitável que o chão, as roupas, o sofá e tudo por aqui fique bem gelado. Então você tem que tá sempre de meia, de chinelo, de tênis e todo coberto para não sofrer com o frio até dentro de casa. Aí você pensa: "Como era bom chegar em casa, tirar a camisa e ficar só de short!".
Apesar das dificuldades, que talvez nem possam ser chamadas de dificuldades, porque são fáceis de se habituar, a gente vai seguindo e amadurecendo. Pelo menos tenho certeza que o intercâmbio já tá servindo para melhorar meu preparo físico e minha resistência ao frio, para aperfeiçoar meus dotes culinários e de limpeza hahahaha.


Teste.
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