sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Espírito aventureiro

Eu não sei por quanto tempo o meu pai foi caminhoneiro, no entanto, eu sei que, desde o dia em que eu nasci, 3 de agosto de 1990, até o dia de sua morte, 3 de outubro de 2008, a um mês e meio da data do meu vestibular, foi por meio desta profissão, ao melhor estilo "Pedro e Bino", que ele ajudou nas despesas da casa, e a mesma que o fez ser um apaixonado por trabalho.
Confesso que, durante a infância e a adolescência, eu tinha vergonha de assumir o que o meu pai fazia diante dos meus amigos, todos filhos de advogados médicos, homens de negócios e outras profissões bem vistas. Porém, já faz algum tempo, e principalmente hoje, fazendo intercâmbio, sinto muito orgulho em dizer que meu pai conhece dezenas de cidades brasileiras e de outros países da América do Sul (seu maior orgulho era dizer que, de todas as capitais brasileiras, Palmas, no Tocantins, era a única que ele ainda não havia visitado). E se tivesse vivo, com certeza estaria dizendo a todos os seus amigos o quanto se orgulha de ter um filho morando na Irlanda, país que provavelmente desconhecia, em razão de seu pouco estudo. 

Pois, bem. Inspirado na garra e no espírito aventureiro do meu pai, que precisou dormir em vários lugares desconfortáveis e se virar para ter que comer alguma coisa, é que pretendo superar todas as dificuldades de viver em um lugar sem o auxílio do meus familiares e sob a cultura de um país europeu. É claro que minha missão é bem mais fácil do que foram as dele, mas mesmo assim conto com seu exemplo. 


Meu pai não está mais aqui para me ligar todo domingo, de qualquer cidade onde ele esteja trabalhando, para me perguntar se o Flamengo venceu ou não, nem me viu entrar na faculdade, conseguir o meu primeiro estágio, ter o meu primeiro salário, a primeira namorada, comemorar o Campeonato Brasileiro de 2009 conquistado pelo Flamengo (coisa que nunca havia visto), fazer minha primeira viagem a trabalho, ter a primeira manchete de jornal, viajar para um congresso, sair do Brasil, entre outras coisas importantes na vida de um homem, mas está muito feliz por mim e torce para que eu consiga muito mais. Até posso estar parecendo um matuto cearense que nunca foi para “o estrangeiro”, mas se aprendi a não ligar para outras coisas, também posso aprender a não ligar para isso.


Dedé

3 comentários:

  1. Você me fez chorar, André! Definitivamente um dos textos mais lindos que já li!!!

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  2. Família é a coisa mais importante na vida. E com bons exemplos, então, é insuperável. Vou torcer muito por você! Beijão!

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  3. Lindo texto... quer maior inspiração que essa? Sucesso e determinação! Abraço!

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